terça-feira, 5 de julho de 2011

Teoria Geral dos Sistemas

Teoria dos Sistemas
  
Gabriela Ponte; Kamille Calado;  Lourrik de Melo; Marília Moura; Millena da Luz; Rebeca Cavalcante

 1 Resumo
A Teoria geral de sistemas tem por objetivo uma análise da natureza dos sistemas e da interrelação entre eles em diferentes espaços, assim como a interrelação de suas partes. O sistema que é visto como uma totalidade integrada, sendo impossível estudar seus elementos isoladamente. Ela ainda analisa as leis fundamentais dos sistemas.
A Teoria Geral de Sistema surgiu com os trabalhos do cientista (biólogo) alemão Ludwig von Bertalanffy no final dos anos 30, para preencher uma lacuna na pesquisa e na teoria da Biologia. Os seus primeiros enunciados são de 1925 e ela é amplamente reconhecida na administração da década de 60. Sua difusão se deu a uma necessidade de síntese e integração das teorias precedentes. De forma concomitante, possibilitou a operacionalização e a aplicação de conceitos da Teoria dos Sistemas à administração.
Da definição de Bertalanffy, segundo a qual o sistema é um conjunto de unidades reciprocamente relacionadas, decorrem dois conceitos: o de propósito (ou objeto) e o de globalismo (ou totalidade). Esses dois conceitos retratam duas características básicas em um sistema.
De todas as teorias administrativas a Teoria de sistemas acaba sendo a menos criticada, por um motivo muito simples: A perspectiva sistêmica parece concordar com a preocupação estrutural-funcionalista típica das ciências sociais dos países capitalistas.
A Teoria Geral de Sistema trouxe um novo modo de ver o mundo e também revolucionou a Ciência Computacional. Essa Ciência foi obrigada a pensar não apenas em maquinas isoladas realizando tarefas, mas sim em forma de “sistema’’, em totalidade.
  
Palavras-chave: Teoria Geral dos Sistemas, Sistemas, Interdependência, Inter-relação, Totalidade Integrada, Bertalanffy, Administração.

1 Introdução

O Trabalho a seguir pretende situar o leitor no campo especificamente da Teoria Geral do Sistemas(TGS) . Esse tema foi impulsionado pelo biólogo Von Bertallanffy e vem sendo aplicado nos mais variados campos das ciências. Com uma visão voltada para o campo da administração, a abordagem do assunto permite que se tenha uma melhor aplicabilidade de acordo com o que a própria TGS lida. Para isso, há a necessidade de se conhecer o modelo de Bertallanffy e de outros autores.  Assim como a teoria das relações humanas, a teoria socioambiental, a teoria contingencial e o desenvolvimento organizacional, a teoria geral dos sistemas tem forte influência para o bom comportamento de toda e qualquer organização. Para os estudantes de administração é de suma importância que se tenha a clareza que se faz necessária sobre o assunto. Que a forma como será apresentada possa facilitar o entendimento de todos, mas sem deixar, literalmente, a complexidade do tema ser desprestigiada. 

2 Conceito de TGS (Teoria Geral de Sistemas)

            É um conjunto de partes interrelacionadas que trabalham na direção de um objetivo, podendo ser aplicada a qualquer tipo de sistema.

3 Origens da Teoria de Sistemas

A Teoria dos Sistemas foi proposta por Bertalanffy, no final da década de 1930, partindo da concepção de que a realidade é feita de sistemas, de elementos interdependentes que precisam ser analisados nas suas inter-relações, com uma visão interdisciplinar e holística (MAXIMIANO, 2000). Bertalanffy (1975) entende que o pensamento sistêmico exerce papel dominante em diversos campos.
Sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo (BERTALANFFY,  1975). Este autor baseou-se na premissa de que se deve focalizar no todo, nas relações entre as partes que se interconectam e interagem. 
A teoria dos sistemas é baseada em uma abordagem cientifica, voltada para os detalhes da organização, a teoria dos sistemas fornece um meio para interpretar as organizações, traz uma visão holística de todo o processo.
 A TS não busca solucionar problemas ou tentar soluções práticas, mas produzir teorias e formulações conceituais para aplicações na realidade empírica.

4 Pressupostos e Premissas
Os pressupostos básicos da TGS são:
a)      Existe uma tendência para a integração das ciências naturais e sociais.
b)      Essa integração parece orientar-se rumo a uma teoria dos sistemas
c)      A teoria dos sistemas constitui o modo mais abrangente de estudar os campos não físicos do conhecimento cientifico, como as ciências sociais.
d)     A teoria dos sistemas desenvolve princípios unificadores que atravessam verticalmente os universos particulares das diversas ciências envolvidas, visando ao objetivo da unidade da ciência
e)      Isso conduz a uma integração na educação cientifica

A TGS fundamenta-se em três premissas básicas:

a)    Sistemas existem dentro de sistemas, ou seja, todo sistema faz parte de um supra- sistemas e é constituído de sistemas menores, os subsistemas.
b)    Os sistemas devem ser considerados abertos, pois vivem dentro de um meio ambiente, que por sua vez é constituído por outros sistemas. Assim, sistemas abertos estão em constante interação com os demais sistemas e com o meio em que estão incluídos.
c)    Cada sistema possui uma estrutura singular, que o torna voltado para uma determinada finalidade

De acordo com Chiavenato “a Teoria dos Sistemas afirma que se deve estudar os sistemas globalmente, envolvendo todas as interdependências de suas partes.”
O conceito de sistemas proporciona uma visão compreensiva, abrangente, holística, gestáltica (o todo é maior do que a soma das partes) de um conjunto de coisas complexas, dando-lhes uma configuração e identidade total.

5 Características dos Sistemas
Há dois conceitos que retratam o sistema:
Propósito ou objetivo: Todo sistema tem um ou alguns propósitos ou objetivos. As unidades ou elementos (ou objetos), bem como os relacionamentos, definem um arranjo que visa sempre a um objetivo ou finalidade a alcançar.
Globalismo ou totalidade: Todo sistema tem uma natureza orgânica, pela qual uma ação que produza mudança em uma das unidades do sistema, deverá produzir mudanças em todas as outras unidades. Em outros termos, qualquer estimulação em qualquer unidade do sistema afetará todas as unidades devido ao relacionamento existente entre elas. O efeito total dessas mudanças ou alterações proporcionará um ajustamento de todo o sistema. O sistema sempre reagirá globalmente a qualquer estimulo produzido em qualquer parte ou unidade. Na medida em que o sistema sofre mudanças, o ajustamento sistemático é contínuo. Da mudança e dos ajustamentos contínuos do sistema decorrem dois fenômenos: o da entropia e o da homeostasia.


6 Tipos de Sistemas

Inicialmente, os sistemas podem ser classificados quanto ao gênero, podendo-se pressupor duas condições extremas, os sistemas naturais (relativos à natureza) e os sistemas sintéticos (relativos o homem).
1 - Quanto a sua constituição podem ser:

Sistemas Físicos ou concretos: Quando composto de equipamentos, maquinários, podendo ser descritos em termos quantitativos de desempenho.


Sistemas Abstratos ou Conceituais: Quando compostos por conceitos, planos, hipóteses, idéias, etc.


2 - Quanto a sua natureza podem ser:

Sistemas fechados (estáveis ou mecânicos): São os sistemas que não apresentam intercâmbio com o meio ambiente que os circunda.

 

Sistemas abertos (adaptativos ou orgânicos): O sistema aberto mantém um intercâmbio de transações com o ambiente e conserva-se constantemente n mesmo estado (auto-regulação), apesar da matéria e energia que o integram se renovarem constantemente (equilíbrio dinâmico ou homeostase). O organismo humano, por exemplo, não pode ser considerado uma mera aglomeração de elementos separados, mas um sistema definido que possui integridade e organização.


7 Parâmetros ou Estrutura dos sistemas

            Parâmetros são constantes arbitrárias que caracterizam, por suas propriedades, o valor e a descrição dimensional de um sistema ou componente do sistema. São eles:
Entradas: As entradas ou componentes (inputs) compreendem os elementos ou recursos físicos e abstratos de que o sistema é feito, incluindo todas as influências e recursos recebidos do meio ambiente. Podem ser:
Dados: permitem planejar e programar o comportamento dos sistemas;
Energias de entrada: permitem movimentar e dinamizar o sistema;
Materiais: são os recursos a serem utilizados pelo sistema para produzir a saída.
Processamento: Todo sistema é dinâmico e tem processos que interligam os componentes e transformam os elementos de entrada em resultados. Pode-se dividir em subsistemas, que são várias partes do sistema.
Saídas: Toda sistema produz uma ou várias saídas. As saídas ou resultados (outputs) são os produtos do sistema. Para uma empresa, considerada como sistema, as saídas compreendem os produtos e serviços para os clientes ou usuários, os salários e impostos que paga, o lucro de seus acionistas, o aumento das qualificações de sua mão-de-obra e outros efeitos de sua ação, como a poluição que provoca ou o nível de renda na cidade em que se localiza. O sistema empresa é formado de inúmeros sistemas menores, como o sistema de produção e o sistema administrativo, cada um dos quais tem suas saídas específicas. Exemplos: Produtos, lucro, pessoas aposentadas, poluição.
Feedback (retroação): Feedback (palavra que significa retomo da informação, efeito retroativo ou realimentação) é o que ocorre quando a energia, informação ou saída de um sistema a ele retoma. O feedback reforça ou modifica o comportamento do sistema. A retroação serve para comparar a maneira como um sistema funciona em relação ao padrão estabelecido para ele funcionar. Quando a entrada e a saída estão diferentes, o papel da retroação é o de regular ambos.
O feedback pode ser negativo ou positivo.
Positivo é a ação estimuladora da saída que atua sobre a entrada do sistema. O sinal de saída amplifica e reforça o sinal de entrada.
Negativo é a ação inibidora da saída que atua sobre a entrada do sistema. O sinal da saída diminui e inibe o sinal de entrada.
Ambiente: É o meio que envolve o sistema. O sistema aberto recebe entradas do ambiente, processa-as e efetua saídas ao ambiente, de tal forma que existe entre ambos – sistema e ambiente – uma constante interação. A viabilidade ou sobrevivência de um sistema depende de sua capacidade de adaptar-se, mudar e responder às exigências e demandas do ambiente externo. O ambiente serve como fonte de energia, materiais e informação ao sistema.




Figura 7.1 - Quadro demonstrativo de um modelo de sistema.


8 Modelos de Organização
8.1 Katz e Kahn
            Ambos desenvolveram um modelo de organização através da aplicação da TGS à teoria administrativa, que tem como características as seguintes:
8.1.1. A organização é um sistema aberto. Suas características são:
8.1.1.1. Importação (entradas): a organização recebe insumos do ambiente e depende de suprimentos renovados de energia de outras instituições ou de pessoas.
8.1.1.2. Transformação (processamento): os sistemas abertos transformam a energia recebida.
8.1.1.3. Exportação (saídas): os sistemas abertos exportam seus produtos, serviços ou resultados para o meio ambiente.
8.1.1.4. Os sistemas são ciclos de eventos que se repetem: importação, transformação e exportação.
8.1.1.5 Entropia negativa: processo pelo qual todas as formas organizadas tendem a morrer.
8.1.1.6 Informação como insumo, retroação negativa e processo de codificação.
8.1.1.7. Estado firme e homeostase dinâmica: mecanismos regulatórios.
8.1.1.8. Diferenciação: multiplicação e elaboração de funções, de papéis e divisão de trabalho. Os padrões difusos e globais são substituídos por funções especializadas, hierarquizadas e diferenciadas.
8.1.1.9. Equifinalidade: um sistema pode  alcançar, por uma variedade de caminhos, o mesmo resultado final, partindo de diferentes condições iniciais.
8.1.1.10. Limites ou fronteiras: a organização apresenta barreiras entre o sistema e o ambiente.
8.1.2 Cultura e clima organizacionais
Para os autores “cada organização cria sua própria cultura com seus próprios tabus, costumes e usos”. Assim como a sociedade tem uma herança cultural, as organizações sociais possuem padrões distintivos de sentimentos e crenças coletivos, que são transmitidos aos novos membros do grupo. 
8.1.3 Eficácia Organizacional
            Refere-se ao quanto de entrada de uma organização resulta como produto e quanto é absorvida ou gasta pelo sistema. A eficácia organizacional relaciona-se com a extensão em que todas as formas de rendimento para a organização são maximizadas, o que é determinado pela combinação da eficiência da organização e seu êxito em obter condições vantajosas ou entradas de que necessita.
8.1.4 Organização como um sistema de papéis
            A organização consiste de papéis ou aglomerados de atividades esperados dos indivíduos e que se superpõem; um sistema de papéis.
8.2 Sociotécnico de Tavistock
            Foi proposto por sociólogos e psicólogos do Instituto de Relações Humanas de Tavistock. Os dois subsistemas apresentam um íntimo inter-relacionamento, são interdependentes e cada um influencia o outro. É estruturado em dois subsistemas:
8.2.1 Técnico: envolve a tecnologia, o território e o tempo. É o responsável pela eficiência potencial da organização.
8.2.3 Social: transforma a eficiência potencial em eficiência real.


Conclusão

 Pode-se concluir que a Teoria Geral dos Sistemas, portanto,é a exploração de ''todos'' e de todas ''totalidades'' que há pouco tempo, eram consideras noções metafísicas ,que transcendiam as fronteiras da ciência. Na intenção de representar o conceito analítico e generalista da Teoria Geral dos Sistemas, o presente, trabalho foi desenvolvido para orientar os administradores à cerca da influência do tema nas organizações. Os sistemas de informações atuais devem atender  a todas as necessidades de uma empresa. A característica mais particular de uma empresa é ampliar a capacidade de ampliar seu ciclo de vida valendo-se de reorganizações contínuas.
Em uma apreciação crítica da Teoria de Sistemas, verifica-se que essa abordagem trouxe uma fantástica ampliação na visão dos problemas organizacionais em contraposição a antiga      abordagem do sistema fechado. Seu caráter integrativo e abstrato e a possibilidade de compreensão dos efeitos sinergéticos da organização são realmente surpreendentes. Situações complexas,componentes de um todo,interdependência,interação,feedback e aplicação nas mais variadas áreas ditam o rumo do pensamento sistêmico. A visão do homem funcional dentro das organizações  é a decorrência principal sobre a concepção da natureza humana.
   Por fim,o conhecimento de Sistema é imprescindível para se entender o funcionamento de uma organização,bem como para estruturá-la e avaliá-la no seu decurso.










Bibliografia

CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. 7ª edição. Rio de Janeiro, Editora Elsevier Ltda. P 473 – 492.


Disponível em : < http://jwnovato.sites.uol.com.br/Sistemas.htm> , Acesso em: 29/06/2011.

Disponível em : < http://cassia-both.blogspot.com/2009/10/7-teoria-de-sistemas.html > , Acesso em: 30/06/2011.

Disponível em: < www.enec.org.br/pub/Main/EuzebioUfal/TGS_aulas.ppt >, Acesso em: 04/06/2011.

Disponível em: < http://nutep.adm.ufrgs.br/adp/TSistemas.html >, Acesso em: 04/06/2011.

MAXIMILIANO, A.C.A. Teoria Geral da Administração. Da Revolução Urbana à Revolução Digital. 6ª edição. São Paulo, Editora Atlas S.A. 2009.        P 315 - 323.

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